Asteroide que causou a extinção dos dinossauros pode ter chegado na primavera

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A primavera estava apenas começando no Hemisfério Norte quando um enorme asteroide se chocou contra a Terra, trazendo consigo um inverno global que causou a extinção dos dinossauros. Foi o que sugeriu um grupo de paleontólogos que estudam peixes fossilizados. Mas essa descoberta é muito intrigante porque os fósseis vêm de Tanis, um sítio geológico em Dakota do Norte.

A equipe por trás da descoberta, liderada por Robert DePalma, explicou que Tanis capturou o que aconteceu minutos ou horas depois que o asteroide atingiu a Península de Yucatán, no México, há cerca de 66 milhões de anos. O impacto gerou ondas de 10 metros de altura em um mar raso que se estendia pelo que hoje é o sul e o leste dos Estados Unidos. Quando uma dessas ondas subiu no vale de um rio no que hoje é Dakota do Norte, varreu os organismos em seu caminho, junto com muita lama e areia. A onda então recuou e despejou o material, formando o sítio Tanis.

 Nenhum outro local na Terra parece ter preservado um registro detalhado do dia do impacto do asteroide que causou a extinção dos dinossauros. No entanto, alguns pesquisadores que não tiveram a oportunidade de visitar Tanis, observaram que este estudo não incluiu uma descrição detalhada da geologia do local, tornando difícil avaliar se a geologia pode realmente estar ligada ao impacto ou a outra catástrofe.

A pesquisadora Melanie Durante, que teve a oportunidade de visitar Tanis em Agosto de 2017, deu a seguinte declaração: “Parece um acidente de carro congelado no tempo. É insano”, diz Melanie. “Há peixes dobrados em torno de galhos de árvores – você pode dizer que essa onda deslocou tudo.”

Registro Fóssil

Como os pesquisadores chegaram a conclusão de que era primavera no hemisfério norte quando a Terra sofreu o impacto de um asteroide?

Segundo a pesquisadora Melanie Durante, os padrões de crescimento de certos ossos de peixes fossilizados em Tanis podem revelar a estação em que os peixes morreram. Os ossos crescem rapidamente na primavera, quando a comida é abundante, mas lentamente no inverno, quando a comida é escassa – criando uma microscópica “linha de crescimento interrompido” (LAG) no tecido ósseo.

Os pesquisadores que conduziram o estudo produziram modelos de microtomografia computadorizada de alta resolução de três mandíbulas de peixe-remo e três espinhas de barbatana peitoral de esturjão. Foi possível identificar linhas de crescimento interrompido (LAGs) nos seis ossos e mostrar que todos os seis peixes morreram logo após iniciar um novo período de crescimento. Isso sugere que suas mortes – e, por implicação, o impacto do asteroide – ocorreram durante a primavera do Hemisfério Norte.

Eles encontraram pequenas bolas de vidro chamadas esférulas embutidas nas brânquias dos peixes; essas pequenas esferas fundiram-se a partir de sedimentos ultra quentes quando o asteroide atingiu a Terra e ejetou enormes nuvens de sujeira da cratera de impacto. Partículas voaram para a atmosfera terrestre e além e depois choveram de volta no planeta como contas vítreas.

Uma esférula de impacto do depósito do evento Tanis.(Crédito da imagem: Melanie Durante – 2022)

Outros pesquisadores que estudaram o poço da morte do Cretáceo de Tanis calcularam que as esférulas de impacto teriam caído entre 15 e 30 minutos após o asteroide colidir com a Terra. Como as esférulas estavam nas brânquias dos peixes, mas não foram engolidas, os peixes provavelmente foram enterrados vivos imediatamente após inalar as contas vítreas – dentro de 30 minutos após o impacto do asteroide, de acordo com o novo estudo.

Segundo o coautor do estudo, Dennis Voeten, engenheiro de pesquisa do Departamento de Biologia Organismal da Universidade de Uppsala, também foram observados sinais de flutuações de crescimento celular nos ossos fossilizados, ocorrendo ao longo de sete anos. Assim como as árvores marcam a passagem do tempo no acúmulo de anéis, que são visíveis nas seções transversais de seus troncos, os peixes adicionam camadas aos ossos à medida que envelhecem, com pico de crescimento no final do verão e declínio no inverno. Quando os peixes morreram, eles estavam entrando em um período de crescimento ósseo significativo – que coincidiu com a primavera.

Um peixe-remo fossilizado de Tanis, antes de uma varredura na Instalação Europeia de Radiação Síncrotron em Grenoble, França.(Crédito da imagem: Melanie Durante- 2022)

Registros de isótopos de carbono, ou variações do elemento carbono, de um dos peixes confirmaram ainda que o peixe morreu na primavera, escreveram os cientistas no estudo. Assim como o crescimento ósseo, “o registro de isótopos de carbono mostra um padrão cíclico distinto, onde altos valores refletem a alta produtividade do plâncton”, que era o principal alimento para os peixes-remo, disse o coautor do estudo Jeroen van der Lubbe, professor assistente do Departamento de Ciências da Terra na Vrije Universiteit Amsterdam na Holanda. A abundância de plâncton é tipicamente mais alta no verão; a análise do isótopo mostrou que a produtividade do plâncton ainda não atingiu o pico do ano, então os pesquisadores concluíram que os peixes morreram na primavera.

Essas descobertas podem explicar porque a extinção desencadeada pelo impacto do asteroide eliminou alguns animais, incluindo todos os dinossauros não-aviários, mas não outros. Há também algumas evidências de que os ecossistemas do Hemisfério Sul se recuperaram duas vezes mais rápido após a extinção.

Fonte: http://www.nature.com/space.com