Breaking News

Como o Sistema Solar se formou?

Você já se perguntou de onde vieram o Sol, a Terra e todos os outros planetas? A resposta começa de um jeito meio poético: tudo o que existe no nosso Sistema Solar veio de uma nuvem. Não uma nuvem como as que vemos no céu, mas uma nuvem gigantesca de gás e poeira, flutuando no espaço, há quase 4,6 bilhões de anos.

Vamos entender, passo a passo, como essa nuvem virou uma estrela, oito planetas e tudo mais que conhecemos hoje.

Mas se você quiser primeiro ter uma visão geral de tudo o que existe no Sistema Solar (planetas, luas, asteroides), vale a pena conferir o artigo principal sobre o Sistema Solar antes de continuar por aqui. Visto que ele funciona como um mapa geral, e este texto é o mergulho na origem de tudo isso.

Tudo começou com uma nuvem de gás e poeira

Existem nuvens de gás e poeira espalhadas por toda a nossa galáxia. Os astrônomos chamam essas nuvens de nebulosas. Elas são feitas, principalmente, de hidrogênio e hélio (os elementos mais simples e mais comuns do Universo), misturados com um pouco de poeira mais pesada, formada dentro de estrelas que existiram antes do nosso Sol.

Na maior parte do tempo, essas nuvens ficam quietas, espalhadas por um espaço enorme. Mas, de vez em quando, alguma coisa perturba esse equilíbrio. Pode ser, por exemplo, a onda de choque de uma estrela vizinha explodindo (um fenômeno chamado supernova). Essa perturbação é suficiente para a gravidade começar a puxar a nuvem para dentro dela mesma. Foi assim que a nossa história começou: uma nuvem chamada nebulosa solar começou a colapsar sob o próprio peso.

De nuvem a disco: como a poeira virou planetas

A nuvem começa a girar e a se achatar

Quando a nebulosa solar começou a colapsar, ela também começou a girar. Mais ou menos como um patinador que gira mais rápido quando encolhe os braços perto do corpo. Conforme foi girando, a nuvem foi ficando cada vez mais achatada, até virar um grande disco giratório de gás e poeira. Os astrônomos chamam esse disco de disco protoplanetário.

De grão de poeira a planeta: condensação e acreção

Dentro desse disco, dois processos foram organizando toda aquela poeira em algo maior.

O primeiro se chama condensação: é quando o gás se transforma em partículas sólidas, do mesmo jeito que o vapor da sua respiração vira gotinhas em um dia frio. No disco protoplanetário, esse processo criou pequenas partículas sólidas, algumas delas, chamadas côndrulos, ainda são encontradas hoje presas dentro de certos meteoritos, como pequenas cápsulas do tempo da formação do Sistema Solar.

O segundo processo se chama acreção: é quando essas partículas pequenas vão se juntando umas às outras, formando objetos cada vez maiores. No começo, quem junta as partículas é a mesma força elétrica que faz a poeira se acumular debaixo de um sofá. Mas, à medida que os aglomerados crescem, a força da gravidade entra em ação e passa a fazer o trabalho pesado, puxando cada vez mais massa para perto.

Assim, grão a grão, colisão após colisão, esses aglomerados foram virando rochas maiores, depois pequenos mundos chamados planetesimais, com dimensões que variavam de alguns quilômetros a várias centenas de quilômetros de diâmetro. Esses blocos de construção maiores se combinaram sob a força da gravidade para formar protoplanetas, que foram os precursores da maioria dos planetas atuais do sistema solar.

Como nasceu o Sol 

Enquanto isso, no centro do disco, a maior parte da matéria estava se acumulando. E, quanto mais matéria se juntava, maior ficava a pressão e a temperatura ali dentro.

Em determinado momento, a pressão no centro ficou tão alta que os átomos de hidrogênio começaram a se fundir, formando hélio e liberando uma quantidade gigantesca de energia nesse processo. Isso se chama fusão nuclear, e foi esse processo que deu início ao Sol como conhecemos hoje. A partir daquele momento, nossa estrela começou a brilhar, e nunca mais parou.

O Sol acabou ficando com praticamente toda a massa disponível na nebulosa original: cerca de 99,86% de tudo o que existe no Sistema Solar está concentrado nele. Do restante, quase 70% forma o planeta Júpiter, o que dá uma ideia de como sobrou muito pouco material para formar a Terra e os outros planetas. 

Curiosidades sobre o Sol que você vai querer contar por aí

Por que os planetas são tão diferentes uns dos outros?

Se você já reparou que os quatro primeiros planetas (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) são pequenos e rochosos, enquanto os quatro seguintes (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) são gigantes de gás, tem uma explicação simples para isso: a temperatura.

Perto do Sol, fazia calor demais para materiais como gelo e gases sobreviverem. Só rocha e metal aguentavam ficar ali, formando os planetas telúricos que conhecemos. Mais longe, onde a temperatura era mais baixa, gelo e gás puderam se acumular em grande quantidade, dando origem aos gigantes gasosos e aos gigantes de gelo.

Depois de formados, os planetas continuaram “limpando” sua própria órbita, engolindo planetesimais menores que ainda estavam por perto, ou lançando-os para fora com sua gravidade. Essa “faxina” é, inclusive, um dos critérios oficiais para um corpo ser considerado planeta.

A Lua nasceu de uma colisão gigante

Nem tudo, na formação do Sistema Solar, aconteceu de forma tranquila. Nos estágios finais, alguns planetas em formação chegaram a colidir entre si, o que os cientistas chamam de impactos gigantes.

A explicação mais aceita hoje para a origem da nossa Lua é justamente uma dessas colisões: um corpo do tamanho de Marte, batizado de Theia (ou Teia), teria se chocado com a Terra ainda em formação. O impacto teria jogado uma nuvem de detritos ao redor do nosso planeta e foi a partir desses detritos que a Lua se formou.

Em 2016, uma equipe liderada por Edward Young, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, apresentou evidências a partir de comparações químicas, de que Theia e a Terra colidiram de frente, numa colisão que misturou muito bem seus materiais. 

“Theia estava completamente misturada tanto na Terra como na Lua, e igualmente dispersa entre elas.” – Edward Young

Esse é um tema de pesquisa ativa: novas simulações continuam refinando os detalhes exatos de como essa colisão aconteceu, então é normal que os cientistas ainda debatam alguns pontos específicos, mesmo com a ideia geral já bem estabelecida.

De onde vieram os elementos que formam a Terra?

Esse é um dos fatos mais bonitos da astronomia: nada na Terra é realmente “novo”. Todo elemento químico mais pesado que hidrogênio e hélio, como o carbono do seu corpo, o ferro do seu sangue, o oxigênio que você respira, foi criado dentro de estrelas que existiram antes do nosso Sol, e que, ao explodirem, espalharam esses elementos pelo espaço. Foi esse material que, mais tarde, entrou na composição da nebulosa solar e, por consequência, na composição da própria Terra.

Em outras palavras: o carbono do seu corpo já esteve dentro de uma estrela que se apagou há bilhões de anos.

Quem descobriu essa teoria?

A ideia de que o Sistema Solar nasceu de uma nuvem giratória é chamada de hipótese nebular, e ela é hoje a explicação mais aceita pela ciência para a formação do Sol e dos planetas.

Ela foi proposta originalmente pelo filósofo alemão Immanuel Kant, no século XVIII, e depois aprimorada pelo matemático francês Pierre-Simon Laplace, em 1796. Ao longo da história, outras explicações concorrentes também foram propostas, como a ideia de que os planetas teriam se formado a partir do encontro próximo entre duas estrelas. Mas essas teorias não resistiram às evidências que foram se acumulando ao longo do século XX, e a hipótese nebular seguiu como a mais consistente com o que observamos.

Infográfico sobre como a ciência explicou a origem do sistema solar.

Ainda existem mistérios por resolver

Mesmo sendo a teoria mais aceita, a hipótese nebular ainda tem alguns quebra-cabeças sem solução completa. Um deles é curioso: o Sol concentra quase toda a massa do Sistema Solar, mas guarda muito pouco do que os físicos chamam de “momento angular”, uma espécie de medida de quanto um objeto gira. Seria de se esperar que, concentrando tanta massa, o Sol também concentrasse a maior parte do giro do sistema. Mas não é isso que observamos, e os cientistas ainda não têm uma explicação totalmente fechada para essa diferença.

Para investigar quebra-cabeças como esse, os astrônomos também estudam sistemas solares mais jovens, ainda se formando ao redor de outras estrelas. Em julho de 2025, uma equipe internacional conseguiu, pela primeira vez, observar o exato momento em que os primeiros grãos sólidos começam a se formar ao redor de uma estrela jovem chamada HOPS-315, a cerca de 1.300 anos-luz de distância. É como se os cientistas tivessem encontrado uma “foto” do nosso próprio Sistema Solar em seus primeiros instantes de vida, bilhões de anos atrás.

Imagem captada por telescópios mostrando o disco de poeira e gás ao redor da jovem estrela HOPS-315
Esta é a HOPS-315, uma estrela em estágio inicial de formação, na qual astrônomos observaram evidências dos estágios mais primordiais da formação de planetas. A imagem foi obtida com o Atacama Large Millimeter

Qual é a idade do Sistema Solar?

O Sistema Solar tem cerca de 4,6 bilhões de anos. Esse número vem da datação de meteoritos muito antigos, eles são verdadeiras cápsulas do tempo que guardam registros químicos de quando tudo começou. A medição mais precisa aponta para 4,567 bilhões de anos, e o próprio Sol parece ter levado menos de 1 milhão de anos para se formar, uma vez que o colapso da nebulosa teve início.

Perguntas frequentes sobre a formação do Sistema Solar

Quem propôs a hipótese nebular?

O filósofo alemão Immanuel Kant propôs a ideia original, no século XVIII. Décadas depois, em 1796, o matemático francês Pierre-Simon Laplace aprimorou essa hipótese, que se tornou a explicação mais aceita até hoje para a origem do Sistema Solar.

Quanto tempo levou para o Sistema Solar se formar?

O processo todo, da nuvem original até um sistema com planetas em órbitas estáveis, levou algo entre 100 milhões e alguns bilhões de anos, dependendo da etapa. O Sol, especificamente, pode ter se formado em menos de 1 milhão de anos depois do início do colapso da nebulosa.

Por que os planetas rochosos ficam perto do Sol e os gigantes gasosos ficam longe?

Por causa da temperatura. Perto do Sol, fazia calor demais para materiais leves como gelo e gás sobreviverem. Dessa forma, só rocha e metal resistiam, formando os planetas telúricos. Mais longe, com temperaturas mais baixas, gelo e gás puderam se acumular em grande quantidade, formando os gigantes gasosos e os gigantes de gelo.

De onde veio a Lua?

A explicação mais aceita é que um corpo do tamanho de Marte, chamado Theia, colidiu com a Terra ainda em formação. Os detritos dessa colisão gigante teriam se juntado em órbita da Terra, dando origem à Lua.

Qual é a idade do Sistema Solar?

O Sistema Solar tem cerca de 4,6 bilhões de anos, mais precisamente, 4,567 bilhões, segundo a datação de meteoritos primitivos.

O Sol vai continuar “se formando”?

Não. O Sol já está estável há bilhões de anos, na fase em que fusiona hidrogênio em hélio. Esse equilíbrio deve continuar por mais uns 5 bilhões de anos, até o combustível começar a se esgotar.

Existem outras teorias sobre a formação do Sistema Solar?

Sim, mas nenhuma delas resistiu ao teste do tempo como a hipótese nebular. No início do século XX, por exemplo, alguns cientistas chegaram a propor que os planetas teriam se formado a partir do encontro próximo entre duas estrelas. Ideias hoje consideradas ultrapassadas, por não se sustentarem diante das evidências observacionais que foram surgindo depois.

Posts Relacionados

  • All Post
  • Astronomia
  • Blog
  • Curiosidades
  • Espaço
  • Eventos Astronômicos
  • Exploração Espacial
  • Geek
  • Livros
  • Notícias
  • Popular
  • Publieditorial
  • Sistema Solar
  • Tecnologia
  • Trending

Siga-nos

Posts Populares

  • All Post
  • Astronomia
  • Blog
  • Curiosidades
  • Espaço
  • Eventos Astronômicos
  • Exploração Espacial
  • Geek
  • Livros
  • Notícias
  • Popular
  • Publieditorial
  • Sistema Solar
  • Tecnologia
  • Trending

Trending Posts

  • All Post
  • Astronomia
  • Blog
  • Curiosidades
  • Espaço
  • Eventos Astronômicos
  • Exploração Espacial
  • Geek
  • Livros
  • Notícias
  • Popular
  • Publieditorial
  • Sistema Solar
  • Tecnologia
  • Trending

Nosso Instagram

Categorias

Tags

Edit Template

Nunca perca uma notícia. Inscreva-se em nossa Newsletter.

Você foi inscrito com sucesso! Ops! Alguma coisa deu errado. Por favor tente outra vez.

Posts Populares

  • All Post
  • Astronomia
  • Blog
  • Curiosidades
  • Espaço
  • Eventos Astronômicos
  • Exploração Espacial
  • Geek
  • Livros
  • Notícias
  • Popular
  • Publieditorial
  • Sistema Solar
  • Tecnologia
  • Trending

Trending Posts

  • All Post
  • Astronomia
  • Blog
  • Curiosidades
  • Espaço
  • Eventos Astronômicos
  • Exploração Espacial
  • Geek
  • Livros
  • Notícias
  • Popular
  • Publieditorial
  • Sistema Solar
  • Tecnologia
  • Trending

© 2024 Papo Astronômico Todos os Direitos Reservados